Adriana Luz

Para sempre na areia...

Textos

Já pode chorar agora?
De vez em quando a gente acorda "assim assim", meio estranha, digamos, e talvez por qualquer fato, até uma colher suja em cima da pia, faz com que você olhe para o Universo e diga: por que esta colher em  minha vida? O que eu fiz para merecer esta colher? Tanta casa, tanta pia neste COSMOS, e foi justamente em minha casa, em minha pia, que essa porcaria desta colher suja se faz existente?

Não, eu não quero esta colher!

E aí você pensa... Jogo a colher no lixo? Compro uma nova?

Sim, porque lavar nem pensar, não fui eu quem pediu pra esta colher estar aqui, e suja ainda por cima... Aceito tudo, menos lavar esta colher imunda...

Mas aí, como a gente não lava esta colher, as coisas vão se complicando. Ou a gente usa outra colher (uma limpa que estava na gaveta e a gente nem sabia, ou compra outra, ou ainda, usa a suja mesmo)...

Bom, nos dois primeiros casos (comprar ou pegar uma limpa na gaveta, se a gente continua sem vontade de lavar a colher, a pia ficará acumulada de colheres sujas. E a gente, cada vez mais estranha e sem entender o motivo pelo qual TANTA CASA e PIAS NO COSMOS E JUSTAMENBTE NA MINHA CASA E NA MINHA PIA, é que vivem TODAS AS COLHERES SUJAS...

No terceiro caso, podemos lavar a colher....usá-la e ela vai se sujar novamente... E aí olha o ciclo... mas gente... é tudo tão simples, o problema está na colher. Se não existissem colheres, a gente usaria as mãos... pronto. Tudo resolvido. Pode ir dormir ou ir ao salão que seu cabelo está horroroso!

Não, não ha salões. Não há ninguém no mundo para lavar minha colher, nem minhas mãos. Pronto.

Ok. A resposta é, então: use as mãos e as lave, óbvio...

Lavar é sempre a melhor saída.

E aí me pergunto: se posso lavar minhas mãos, por que não pude lavar a colher da minha pia? E eu mesma respondo. Porque minhas mãos estão comigo, carrego o tempo todo, eu não conseguiria viver com elas imundas e não teria a quem culpar. As colheres, bem...as colheres a gente sempre acha que deveria ser "trabalho" do outro... lavar... ou até jogar no lixo...

E quem está lendo isso aqui, pode estar pensando: Adriana enlouqueceu de vez. e eu digo: tudo bem. Pode pensar. Ou melhor, nem pense, nem leia... porque realmente são apenas divagações... Divagações de uma mente que não pára, ainda que esteja trabalhando com mil coisas, pensa outras tantas mil ao mesmo tempo... E quando pensa demais, e o pensamento parece que vai explodir, põe no papel.

E neste momento, quando fui pôr no papel, leio um post de uma prima:  "estou meio estranha hoje"... não sei se foi brincadeira, porque ainda que ela não saiba, ou não admita, ela tem uma mente fértil (que qualquer grão vira uma cidade inteira...ah...disso eu sei...) E pode até ter sido brincadeira mesmo...afinal brincar é uma das formas que a gente encontra para sobeviver em alguns momentos não?...

E eu achei engraçado, porque acordar estranha é minha especialidade... Aliás, acordar estranha é uma coisa quase poética... porque a realidade é estranha, a colher é estranha, a pia então, nem se fala...

Às vezes são os cabelos, antigamente era porque estava magra demais, depois uma gordura que nunca existiu e eu sempre achei que existiu (achei tanto, que um dia ela existiu de fato... mas já tratei de despachar)... E sabe... acordei estranha pelos trinta, pelos  vinte, pelos quinze... pelos onze... pelos oito... pelos aniversários não comemorados... E até pelos que eu mesma resolvi comemorar... Ou seja, eu sempre fui estranha, e pior, estranha a mim mesma. Portanto, não há "fora" que me satisfaça.

E então eu volto à questão da colher... Ou como diria um aluno: por que com tantas possibilidades nesse mundo, eu fui nascer justamente eu?

Ahhh...aí é que está a grandeza de mim mesma. Porque olha, vou lhe contar, viu... minha colher pode ser a mais suja, minhas mãos idem. E meus cabelos, os mais pift... mas eu tenho uma coisa, que muita gente não tem. Sim, além de ser única, sem cópias, eu tenho capacidade de reconhecer quando eu preciso lavar minha colher, ou lavar minhas mãos. E isso, não porque querem que eu lave (colher ou mão)... ou porque acham isso ou aquilo...

Mas porque Deus me deu essa capacidade. Então, por ELE (DEUS), eu levanto (estranha mesmo, porque ELE já me conhece... para Ele não preciso disfarçar nada), e por ELE, e para ELE, a depender do momento, decido entre lavar a colher ou a minha mão. Às vezes, tenho de lavar as duas coisas. Ou, então, os talheres todos... ou o corpo todo. Mas só por ELE, que me deu a vida. Por mais ninguém. E aí está o estranhamento. Sou estranha, mas sou feliz. E para ser feliz é que Ele me criou. Portanto, salve, salve, MEU DIA, MINHA VIDA, SEU DIA, SUA VIDA!!

(Você que é linda, inteligente, bem sucedida, e nada , nadica de nada estranha... ao menos aos meus olhos.)

TE AMO. FELIZ VIDA!

(Já pode chorar agora? Sei que vai me perguntar. Sim, pode.  E quando terminar, venha me visitar e me abraçar)

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Adriana Luz
Enviado por Adriana Luz em 05/03/2014
Alterado em 30/08/2014
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