Adriana Luz

Para sempre na areia...

Meu Diário
26/10/2008 11h16
Depósito

Publicado por Adriana Luz em 26/10/2008 às 11h16
 
26/10/2008 02h02
Crônicas...

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Ah, droga! Lá vem a mãozona da minha mãe tampar meu olhos. Toda vez que vamos ver filme é a mesma coisa. Só porque o cara levou um tiro e tá com as tripas de fora? Que é que tem? Outro dia no “Se liga, Bocão”, eu vi um que perdeu metade do corpo. Mas eu sei que é tudo massinha e ketchup. Mesmo que não fosse, outro dia vi um cara brincando de “CS” na rua, só não vi sua barrinha de vidas. Acho que foi fim de jogo ou então era “Premium account”, sei lá.

Pronto. Tchau mão chata. Foi em boa hora. Deu tempo de ver aquele beijão. Beijão não, beijaço! A mão do cara tá descendo... Eca! Que nojo! E cá estão meus olhos tampados de novo. Minha mãe esquece que não sou surdo.

Será que o cara esfaqueou a mulher? Ela tá fazendo uns barulhos estranhos.. Parece até com um daqueles filmes que eu vi com meu irmão na TV num sábado à noite. Aliás, não se como ele gosta tanto desses filmes. Eu é que não mostrava meu pirulito pra uma menina. Bom, mas isso não vem ao caso agora.

Cansei de só imaginar o filme. Ainda escrevo um que todo mundo possa assistir sem essas mãos chatas no olho. Então tchau, mamãe. Agora vou para o computador matar uns “noobs” na guerra em “Rag” que é o que eu faço de melhor. Fui.

(Letícia e Gabriela - alunas queridas do 2º 12)


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Publicado por Adriana Luz em 26/10/2008 às 02h02
 
24/10/2008 03h55
Divagações noturnas
A vida fica mais fácil quando se tem, como companheiros, um sorriso sereno e um par de olhos cristalinos...
 
(Adriana Luz - madrugada de 24 de outubro de 2008)

Publicado por Adriana Luz em 24/10/2008 às 03h55
 
24/10/2008 03h37
Minha pessoa através de pessoas 8

Flor. Um substantivo simples. Um vegetal. Um ser vivo. Não um ser vivo simples.  Apesar de muitas vezes pequenas e delicadas.A ciência dá uma função para cada uma de suas partes, divide de acordo com a evolução, número de pétalas e assim vai. Acredita que diz até para que serve sua cor ? 

Acho que essas pessoas ‘’ científicas ‘’ nunca tiveram pensamentos de várias cores e tamanhos.Onde já se viu dizer para que serve a cor de uma flor ? A flor por acaso diz para que serve algo deles ? E nem eles param para olhar para uma flor e designá-la pela cor ou pelo jeito, mas sem atributos científicos, com atributos simples, pensados, inventados.Mas com certeza, independente de quem são ou o que fazem, aposto que Adriana os chamariam de flor. ( E se fosse homem, especificaria que era um cravo. ).

Todos para ela são flores e até há pouco tempo, eu não saberia dizer que sentido ela dá para esse substantivo ou adjetivo.Mas o fato é que são apenas ‘’ flor ‘’ e ela não especifica o tipo, só quando é homem, mas para evitar certas brincadeiras com a homossexualidade.Apesar dela já ter me explica o sentido, ainda penso nela como uma jardineira poeta, que não sabe ou não quer saber o nome científico de cada flor, basta saber que é uma flor.E o tipo de flor, ela guarda para ela.Uma espécie adjetivo secreto.Uma criança brincando de florista.Uma botânica especializada em sonhos. 

Que flor ela seria ? Poderia ser uma flor em cada momento.Um jardim inteiro em um dia, se quisesse.Girassol ? Que busca apenas o simples para se estar feliz ?  não consigo ver Adriana com uma só cor. Ela é como se olhar em um caleidoscópio para um parque de diversão. As rosas, que são levadas a enterros e dadas no dia dos namorados, em aniversários.Ocasiões tão opostas, mas em todas elas a rosa desempenha seu papel de colorir. Como um lápis de cor em um papel em um dia de chuva. A flor do maracujá ? Dizem que é a mais bonita que há. Atribuem também a  ela os instrumentos católicos que remetem a cristo: coroa, açoites, cravos, chagas. É bonita e cheia de mistérios, a beleza proveniente da dor. Só os olhos mais atentos podem retirar o belo disso.Existem centenas: Lírios, orquídeas, copo de leite, cravo, dália, magnólia, jasmim.Consigo achar um pedaço de Adriana em cada uma delas. Ela que pode ser chamada só de ‘’ flor ‘’, uma junção de todas. Todas as cores,  tamanhos, formas, perfumes, beleza.Talvez uma nova espécie de flor, a flor Adriana.

Prometi que ia especificá-la, vi que não dá. Mas se isso cumpre metade da minha tarefa, tenho a impressão que sempre que olhá-la, pensarei na flor do maracujá."

(Samara Bello - aluna querida)

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Publicado por Adriana Luz em 24/10/2008 às 03h37
 
23/10/2008 18h07
ESGOTO...


Ambientes agradáveis naqueles dias não me faltavam, sim, minha mãe vivia me dizendo que os tempos andavam bons, muita sujeira pelas ruas, muitos lixões e esgotos a céu aberto, tudo que eu adoro, ou melhor, nós adoramos. Não é mais tão fácil assim agora, e tudo mudou quando, um certo dia, eu, com as pequenas dimensões que tinha, resolvi dormir em um latão de lixo aberto e, ao acordar, não sei como, minhas patinhas tinham dado lugar a quatro membros enormes, minhas antenas haviam sumido, ganhei um monte de pêlos em cima da cabeça, não possuía mais asas, meus olhos agora enxergavam todos os tipos de cores – e eu não vi tanta vantagem assim nisso-, não me sentia mais confortável em meio àquela sujeira e não sei por que esse corpo  não gostava de lá. Havia me transformado em um ser humano... 

Demorei um pouco para levantar, mas o fiz e com muito esforço, consegui sair daquele local e me pus em pé, tinha que me acostumar com as novas dimensões e funções daquilo que agora me sustentava. Já era dia, e alguns meninos andavam pelas ruas. 

Ao me ver, todos faziam expressões de nojo, acho que porque não era muito normal ver um ser todo sujo e semi nu perto de um latão de lixo - pelo menos em meus tempos de barata eu não via muito, com exceção de alguns humanos maltrapilhos que vinham em busca de alimento, assim como nós fazíamos . Pensei logo em minha família, tinha que ir atrás deles e contar o que havia acontecido comigo. Confesso que,  apesar de ter me atrapalhado um pouco com o caminho, já que estava acostumado à rota que se limitava basicamente ao chão, foi bem mais rápido que de costume, um ponto positivo de se ter pernas. 

Passei por cima das grades que antes atravessava tão facilmente pra chegar em casa, procurei onde ficava a tampa do esgoto, abri-o, ato que foi novamente estranhado por todos, e adentrei. Confesso que senti um enorme mal-estar lá dentro, mas não ia deixar que isso me afastasse de minha família, a família que eu tenho!  Estavam todos amontoados lá como de costume, mas ao me verem se agitaram e saíram correndo. Tentei dizer a eles quem eu era, mas de nada adiantou. Não gostavam de mim, como não gostavam de nenhum humano, e eu não era diferente deles. Apesar disso, prossegui com o meu pensamento: não ia abandonar minha família, mesmo que ela não seja mais a que  eu tinha, mas simplesmente da qual agora só faço parte.


Passei a ir todos os dias naquele lugar e dividia com eles sempre o pouco de comida que eu conseguia, embora não fosse suficiente nem pra mim, e eles nem ao menos soubessem quem eu era ou por que fazia aquilo.Também logo ganhei apelidos entre o grupo de pessoas que conheciam minha rotina, chamavam-me de tudo que era nome que fizesse apologia à sujeira. Admito que no começo me incomodava, mas um dia, vindo para o esgoto, vi uma mulher com uma criança já grande em um carrinho, ela ( a criança) estava estática, parecia ter um problema mental. Algumas pessoas passavam e ignoravam-na, outras a olhavam como se fosse uma aberração e logo percebi que alguns humanos, como aquela criança, são como baratas para a sociedade, simplesmente porque não se adequam aos seus egocêntricos e exigentes padrões de perfeição. Percebi, assim, que não precisava me importar com os comentários dessa raça desunida, que vê um outro como eu dormindo e comendo perto de esgotos e em vez de tentar ajudar, passa o tempo procurando como depreciar .

Não gostava de me olhar refletido em lugar nenhum, eu era o que eu era e não importava como aparentasse, continuaria a ser uma barata humana ignorada pela sociedade, que ajudava a sua família independentemente de qualquer coisa. Isso se chama amizade, amor ou qualquer sentimento que não cabe aos humanos, e acredito que só conheci o que era, porque um dia fui barata.

(Texto escrito por Samara Bello - minha aluna do Ensino Médio - que se inspirou em Kafka para fazer sua crônica)


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(Adriana Luz - 23 de outubro de 2008)

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Publicado por Adriana Luz em 23/10/2008 às 18h07



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