Adriana Luz

Para sempre na areia...

Meu Diário
22/11/2008 14h38
Minha pessoa através de pessoas 9...


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Com tudo que se tem para reclamar na vida, consigo ver apenas um soluço.
 
Como um suspirar para dentro.

E claro, um sorriso para fora. Sua timidez não impede que ela seja radiante. E seus sentimentos que a sufocam saem como um grande grito silencioso por entre seus dedos. Ela é muda para dentro.

Nunca cresceu e nunca há de o fazer. No entanto paga contas todo mês, faz a feira da casa e pela sua idade física é considerada adulta.

Pela idade da alma, eu a consideraria uma anciã. Se pudéssemos ver a alma das pessoas a dela seria como uma praia, cheia de pegadas e desenhos por toda parte.

Algumas marcas ela gostaria de ter para sempre, outras desejaria que alguma onda viesse e apagasse.

Ela vê o mundo como uma caixa de doces. Nem sempre todos são bons, mas ela não os julga antes de comer. E se comer um ruim, não faz disso um drama. É a pessoa que mesmo comendo há anos o mesmo chocolate ainda faz uma cara de surpresa e seus olhos brilham de empolgação  ao abri-lo. Como uma criança que escreve ao Papai Noel uma carta dizendo que brinquedo quer e sabe que todo ano ganha o que pediu, mas ainda sente um frio na barriga quando vai procurar na árvore na manhã do natal.

Seu mundo é seu infinitivo particular. E nele cabem todos que a fizerem manter seu sorriso.

Nada é forte o suficiente para a deixar triste. Mas a vida não é sempre tão boa para fazer do seu sorriso uma parte de seu rosto....

Grite alto para fora quando for preciso (E às vezes é preciso.), mas faça isso com alguém que seja surdo para fora e a ouça para dentro.


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Isso tudo que eu acabei de escrever talvez muita coisa não seja como você vê, mas eu tenho um espelho através do  qual você não consegue se enxergar...
 
Assim como várias pessoas podem vê-la diferente e você não vai saber em que espelho elas refletiram / refletirão) você. Apenas continue sendo.


( Samara - 2º 4)

(Texto de minha aluna Samara... Obrigada, querida. Nem sei se sou isso tudo, mas se você me vê assim, essa sou eu... De qualquer forma, se quer que eu diga o que penso de mim, retirarei de seu texto o que (penso eu) me resume...


"Nunca cresceu e nunca há de o fazer."


É isso!


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Beijos


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Publicado por Adriana Luz em 22/11/2008 às 14h38
 
14/11/2008 01h34
Soneto de apelo à liberdade
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A poesia não é feita de números,
Mas sim de versos livres e discretos.
Pouco importa se são ditos secretos,
Se são apenas discursos efêmeros.

De que adianta a métrica perfeita,
Forma estruturada de teu desejo,
Já que no fim de todo e qualquer beijo,
Cada pedaço da vida se ajeita.

Nada importa se tua rima não soa.
Se teu soneto não é decassílabo,
Não se preocupe que a vida perdoa.

Deixe as regras todas de lado, pois,
Sendo o sentimento infinitossílabo,
Tudo poderá ficar p'ra depois.

Edgar Martins (07/11/2008) 

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Esse poema, feito por um aluno, é bonito. Mas nem precisava tantos versos. Só este, já valeria a poesia do dia...>>

"no fim de todo e qualquer beijo,
Cada pedaço da vida se ajeita."

LINDO!!

(Adriana Luz)


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Publicado por Adriana Luz em 14/11/2008 às 01h34
 
03/11/2008 14h48
Sobre as Relações de poder...
      João estava animado. Aquele era o dia, o seu dia. O dia mais importante de sua vida até ali. O garoto acreditava que a aula que começava com o toque do sinal seria a mais significativa aos seus longos e experientes dez anos de vida.

         Era o dia para a eleição do presidente de classe! João não se lembrava de qual foi a última vez que suara tanto. Foi uma corrida disputava. Três colegas seus concorriam e ninguém estava a fim de perder.

         A professora, acreditando que a eleição despertaria o sentimento de civismo na classe da quarta série, resolve deixá-los por conta de todo o processo, incluindo a contagem dos votos. Então, os alunos ficaram sozinhos na sala. Independência era o que a jovem professora dizia oferecer aos pequenos estudantes, porém, o que almejava mesmo era a fofoca e o cafezinho extra que a esperavam na sala dos professores.

         Começava então, a eleição para presidente. Uma garota ficou responsável pela contagem, enquanto os outros votavam. Ao final, todos esperavam em silêncio, pela primeira vez em anos. A menina se levantou e disse: “É com grande orgulho que anuncio Lisbela presidente!”

         A vaia foi quase geral, e foram proferidos tantos palavrões pela sala que, me desculpem os senhores leitores, mas não posso repetir a vossas senhorias. “Exijo uma recontagem!”, exclamou João, que recebeu apoio quase unânime. Antes que a garota pudesse protestar, várias mãos agarravam os papeizinhos com os votos, que de repente viraram cinzas, pois alguma mente criminosa achara um isqueiro na bolsa da professora.

         No auge do caos, um grito fez calar toda a sala. Betinho subiu na mesa da professora, e exclamou: “Que tipo de alunos nós somos? Que exemplo estamos dando às crianças da primeira série?”

         Um estranho clima pairou sobre a turma da quarta série. Estavam envergonhados. A normalidade foi sendo estabelecida e, um por um, cada aluno parou de agarrar o pescoço ou morder o braço do colega.

         A menina que havia contado os votos da primeira vez lentamente ia saindo de seu esconderijo dentro do armário, e, postando-se ao lado de Betinho, declarou a todos da sala: “E o novo presidente da quarta série é Betinho!”

         Dessa vez, a menina foi ovacionada. O garoto ao seu lado de repente de viu carregado por seus colegas e foi levado para fora da sala. A professora, que vinha da sua última sessão de café e fofoca, à procura de seu isqueiro, ficou perplexa ao ver seu aluno, que nem era candidato à eleição, sendo carregado e homenageado. Sentiu que havia perdido alguma coisa.

 

(Texto escrito por Elisa Dinelli - aluna do 2º ano - sobre "as relações de poder")


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Publicado por Adriana Luz em 03/11/2008 às 14h48
 
30/10/2008 23h29
Sobre palcos
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"Todo palco termina em abismo..."

(Rodolfo Araújo - 30 de outubro de 2008)

Publicado por Adriana Luz em 30/10/2008 às 23h29
 
30/10/2008 15h41
Lucidez ou loucura?
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"Quando nascemos, quando entramos neste mundo, é como se firmássemos um pacto para toda a vida, mas pode acontecer que um dia tenhamos de nos perguntar: Quem assinou isto por mim?" 

(Ensaio Sobre a Lucidez - José Saramago)

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Publicado por Adriana Luz em 30/10/2008 às 15h41



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